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A geração Z não está à procura do trabalho dos sonhos

Fonte: Fast Company

3 de agosto de 2022

CEO da Sanofi explica como os líderes podem incentivar as carreiras da geração Z, em meio à escassez de mão de obra e custo de vida insustentável

“Qual é o seu trabalho dos sonhos?”

“Eu não sonho com trabalho”, respondeu o jovem funcionário.

Sorri quando ouvi essa resposta, pensando o quanto mudou desde que iniciei minha carreira. Quando comecei a trabalhar, as pessoas me diziam: “encontre uma boa empresa, e, se tiver sorte, talvez chegará ao topo”.

Devido a diversos fatores recentes, como a Covid-19, a guerra na Ucrânia, inflação recorde e conflitos políticos, chegamos em um momento no qual precisamos ver o trabalho como uma força capaz de promover melhorias para o planeta.

Tendo nascido no mundo digital, com mais autonomia e vivendo em meio a uma escassez de mão-de-obra, estratificação de classe recorde e custo de vida insustentável, a geração Z tem um conceito próprio do que é ter uma carreira.

Há pouco tempo, perguntei a uma funcionária recém-contratada da Sanofi: “por que você se juntou a nós?” Ela é uma pessoa bastante talentosa, de 30 e poucos anos, com experiência em capital de risco. A resposta dela me surpreendeu. “Acumular experiência e tempo em uma grande empresa de saúde é algo importante para mim. Poderei criar minha própria empresa depois”, explicou. Isso quando ela ainda estava nos primeiros dias no novo trabalho.

Executivos e líderes como eu devem entender que o talento de hoje está em busca de experiências. Antes, seguir uma carreira costumava ser mais ou menos assim: entrar em uma empresa, ser promovido e se aposentar. Mas a mentalidade de hoje é outra.

Acredito que algo novo está surgindo. Agora, os maiores talentos dizem: “vou usar minhas experiências para tornar a empresa melhor. Mas sairei em algum momento, e você não deve se preocupar com isso. Vou torná-la melhor do que quando entrei, mas também sairei melhor do que quando cheguei.”

Mentalidade com foco no propósito

Trabalho no setor de saúde há mais de 30 anos e o objetivo sempre foi melhorar a vida das pessoas. Mesmo em um dia ruim, a vida de alguém melhorou por causa do trabalho que fazemos. Precisamos nos apegar a isso em uma indústria com foco no propósito.

Os funcionários querem sentir que trabalham para uma empresa que se alinha com seus valores e traz benefícios reais para as populações que atende.

A Covid-19 abriu meus olhos, de meus colegas e de CEOs de outras grandes organizações para os valores da geração Z: o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, desafiar o status quo e se sentir realizado(a).

A geração Z, os millennials e mesmo outras gerações estão exigindo mais de seus empregadores: querem transparência, respeito, empatia, sustentabilidade e apoio para crescer e se desenvolver de forma contínua. Também esperam ações reais dos líderes sobre questões como diversidade e inclusão.

Estamos vendo um novo capítulo na força de trabalho moderna, uma convergência de tecnologia e propósito. Essa geração se cansou de outras invalidando ou diminuindo suas experiências, subestimando suas capacidades e atrapalhando o progresso em questões urgentes, como mudanças climáticas, economia em ruínas e crise sanitária.

Livres de amarras e espertos o suficiente para saber que o mundo não muda sozinho, os jovens estão em busca de paixões, projetos, inovações e descobertas e inauguram uma nova era de autorrealização. Pesquisas apontam que quase dois terços afirmam que planejam iniciar seu próprio negócio no futuro.

Há quatro coisas que os líderes precisam priorizar ao incentivar os funcionários da geração Z:

  • Comunicação desde o começo e com frequência: integre-os à empresa e crie um senso de comunidade, compreensão e conexão com os outros setores e funções. Comunique-se quando houver novidades ou grandes acontecimentos, bem como em outras ocasiões em que algo não estiver claro. Lembre-se de ser empático e responder às perguntas enquanto ouve atentamente às várias opiniões que surgem.
  • Oferecer desafios: garanta que os jovens sejam desafiados e sintam que estão aprendendo continuamente, com orientação, novas ferramentas e treinamento. Assegure a eles que o fracasso é um elemento essencial para criar a base para futuras inovações.
  • Usar automação e IA para ajudar o crescimento: o advento dos aplicativos de inteligência artificial e outros avanços tecnológicos podem ajudar os funcionários mais jovens na busca por realização pessoal e coletiva. Em vez de pedir para alguém processar números em uma planilha excel, é melhor designar essa tarefa para IA para que o funcionário possa ter insights e criar soluções, sem ter que ficar lidando com tarefas repetitivas.
  • Promover uma cultura de escuta: durante reuniões e nas principais decisões da equipe, os jovens precisam sentir que têm voz e espaço em atividades estratégicas. Integre-os em equipes pequenas e dinâmicas para que possam se manter engajados e contribuir com ideias com mais facilidade.

É um ótimo momento para ser CEO. Promover tal mudança cultural significa que devemos aceitar que o talento está em busca experiências diversas e garantir que seu tempo conosco seja bem aproveitado.

Estou seguindo o conselho dos meus filhos e das novas gerações. Estou desaprendendo ao mesmo tempo em que aprendo, repensando como deveria ser o ambiente de trabalho e reavaliando o meu propósito. Isso é a lição de uma vida.

Confira matéria na Fast Company

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