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Trabalho remoto aumenta a competitividade no mercado

Fonte: Correio

20 de julho de 2023

O trabalho remoto não é uma novidade mas, na pandemia, a necessidade do isolamento ampliou significativamente o número de vagas na modalidade e de pessoas interessadas nelas. A soma desses fatores, no entanto, resulta no aumento da competitividade para  candidatos.

Segundo a consultora em Gestão de Pessoas e professora dos cursos de Gestão e Psicologia da Unifacs Adriana D’Almeida, isso acontece porque a concorrência para as vagas de emprego remoto pode ser mundial.

O processo seletivo totalmente virtual é outro fator que amplia o número de concorrentes, já que os candidatos não têm a barreira do deslocamento e podem participar das etapas de seleção, estando em qualquer lugar do mundo.

Além disso, há possibilidade de ofertar as vagas na Internet. “Observando o Linkedin [rede social corporativa], vemos que muitas vagas de home office são compartilhadas. Isso faz com que pessoas do mundo todo vejam e tenham chance de se candidatar. Assim, a concorrência deixa de ser local ou regional e passa a ser mundial”, pontua a consultora de Gestão de Pessoas.

Ainda segundo Adriana D’Almeida, para superar a concorrência, é preciso se destacar em pelo menos três níveis: profissionalmente, domínio de ferramentas de comunicação online e ambiente de trabalho positivo.

Se destacar profissionalmente significa investir em si mesmo, estando sempre atualizado na área que atua. No entanto, se limitar a ela pode ser negativo, já que o trabalho remoto exige o uso de plataformas de chamadas de vídeo e outras ferramentas online. Não dominar esses recursos pode ser eliminatório.

Não estar no escritório também requer que o colaborador de uma empresa tenha um ambiente tranquilo em casa, para não reduzir a produtividade que teria no trabalho presencial. Isso já deve ser demostrado no processo seletivo.

Para o biólogo Artur Sena, de 31 anos, sem essas habilidades, ele dificilmente conseguiria trabalhar para uma empresa com escritório em São Paulo. Ele é um dos mais de 670 colaboradores da Arcadis S A, uma multinacional holandesa de engenharia e serviços de meio ambiente. Na organização, ele gere dois projetos atualmente: de contato com produtores rurais – feito por colaboradores em campo – e de implementação de uma termelétrica, no Pará.

“Durante a pandemia, a empresa fechou um escritório em São Paulo, com 670 funcionários e agora só tem duzentos e pouco presencialmente. O resto continua em home e mais gente foi contratada na mesma modalidade. Emprego está difícil em qualquer situação, mas nesse caso, quanto menos especializado se é, maiores são as dificuldades que enfrentará com tantos concorrentes”, conta Artur.

Danilo de Jesus, de 26 anos, que passou por um processo seletivo à distância para uma vaga remota em uma empresa de telemarketing, conta que o medo da internet cair foi outro fator preocupante, além do número de competidores na chamada de vídeo.

“Eu consegui o emprego e as vantagens de trabalhar de casa são reais. Mas no momento da dinâmica em grupo, a preocupação com o número de gente competindo com você se junta à possibilidade da internet cair, o computador travar ou algo do tipo te atrapalhar. Não que isso conte pontos, mas acaba deixando a gente mais nervoso e, nesses momentos, tranquilidade é ouro”, diz Danilo.

Por outro lado, a empresa também precisa se adaptar para manter uma boa cultura organizacional entre os colaboradores que estão distantes entre si, dos empregadores e sem um escritório como base.

“O aumento nas aberturas de vagas muda toda a dinâmica do mercado de trabalho. Enquanto os colaboradores se veem em uma concorrência mais acirrada, a empresa tem que manter uma boa relação entre todo o núcleo dela”, aponta a consultora em gestão de pessoas Adriana D’Almeida.

Entre os principais desafios a serem superados estão: ensinar a cultura da empresa aos colaboradores, integrá-los entre si, gerir a carga horária de trabalho, manter uma boa comunicação e garantir a segurança do funcionário.

Benefícios

Apesar das dificuldades, os benefícios podem ser recompensadores. Os profissionais que desejam trabalhar remotamente podem ter salários maiores, uma vez que o valor pago pela empresa deve seguir a média salarial do estado ou país que ela pertença, assim como a moeda.

Um levantamento feito pela reportagem nas plataformas de busca de emprego, Infojobs e Catho, mostrou que na cidade de São Paulo, por exemplo, os salários de vagas remotas chegam a R$15 mil; no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Santa Catarina chegam a R$9 mil; e em Salvador e Aracaju chega a R$6 mil.

A maioria das vagas de home office divulgadas nas duas plataformas são das áreas de tecnologia, gestão de pessoas, atendimento ao público e vendas. O setor tecnológico é o que puxa os maiores salários na maioria das cidades citadas, exceto em Salvador e Aracaju.

A isenção dos custos de deslocamento também podem compensar, principalmente se a empresa fornecer os equipamentos de trabalho e/ ou um valor de auxílio home office para cobrir o aumento de gastos do colaborador com energia elétrica e manutenção de equipamentos pessoais usados para o trabalho.

No entanto, Adriana destaca que não há uma legislação trabalhista que obrigue a empresa a fornecer  o auxílio home office e nem os equipamentos para o trabalho remoto. “Vai de bom senso. Até porque ter um computador e boa internet podem ser uma exigência da vaga”, afirma a consultora de gestão de pessoas.

Para a empresa, as vantagens estão na ampliação de ofertas de talentos e na redução dos custos com a manutenção de um escritório, como aluguel, água e luz.

A reportagem também tentou ouvir a Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Bahia (ABRH), mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Confira matéria no Correio

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