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O futuro é dos líderes mais sensíveis e há 7 razões para isso

Fonte: Fast Company

26 de julho de 2022

Lisa Kimmel acreditava que conseguiria manter a calma durante as reuniões virtuais com seu público interno. Era abril de 2020, o primeiro mês do turbilhão de horrores causado pela pandemia de Covid-19.

Presidente e CEO da Edelman para o Canadá e América Latina, ela falava para 250 funcionários canadenses sobre os ajustes que fariam para se adaptar às mudanças drásticas recentes. Ao se preparar, sentia-se tranquila e pronta.

Então, de repente, uma onda de emoção tomou conta. “Enquanto falava com minha equipe, fiquei emocionada”, escreveu ela. “Minha voz começou a falhar e então vieram as lágrimas. Não era o que eu havia planejado, mas não consegui me conter.”

Ela ficou constrangida por um momento, mas, segundos depois, começou a receber uma enxurrada de mensagens de amor e apoio. Isso, acredita Lisa, a ajudou a construir confiança com a equipe durante este ano de ruptura e desafios.

Segundo os estereótipos de liderança e a cultura popular, líderes não podem demonstrar emoção. Mas estamos apenas começando a nos recuperar deste período devastador, de um ano (ou dois) de isolamento, e todos sentimos algum nível de ansiedade, angústia ou solidão – inclusive aqueles nos mais altos cargos.

Sobretudo no mundo dos negócios, “demonstrar sensibilidade” é, muitas vezes, algo pejorativo. Você é visto como instável, alguém que pode explodir a qualquer momento, hipersensível, ou até mesmo irracional e fraco. Intimidados por essas crenças, alguns líderes “sensíveis” acabam suprimindo esse seu lado e não se mostram como realmente são.

LIDERANÇA FEMININA

Isso é uma realidade, especialmente, para mulheres, que

SEGUNDO OS ESTEREÓTIPOS E A CULTURA POPULAR, LÍDERES NÃO PODEM DEMONSTRAR EMOÇÃO.

acabam adotando outro comportamento por medo de serem vistas como fracas e incapazes ao demonstrar emoções. “Principalmente para líderes mulheres, essa vulnerabilidade pode ser aterrorizante”, escreve Kimmel. “Está arraigada em muitas de nós a ideia de que precisamos ser calmas e controladas, demonstrar força e segurança, ou pareceremos incompetentes.”

Mas, embora conheçamos alguns líderes que se encaixam nesses estereótipos negativos, eles são extremamente raros. Na verdade, no mundo de hoje, líderes sensíveis, que são sinceros quanto ao que sentem, são um ativo importante.

Antes da Covid-19, uma pesquisa da Verizon com 1,7 mil líderes empresariais seniores descobriu que menos de 20% acreditava que a inteligência emocional era vital para futuros líderes. Após a pandemia, 69% passaram a ver essa qualidade como essencial. Os tempos estão mudando.

Aqui estão sete razões pelas quais líderes sensíveis e intuitivos serão vitais para qualquer organização que espera alcançar o sucesso na próxima década.

Razão 1: os funcionários já passaram por muita coisa

Desde março de 2020, funcionários da maioria das empresas, grandes e pequenas, tiveram que trabalhar de casa, muitas vezes em espaços minúsculos, com crianças correndo em volta. Tiveram seu espaço privado invadido, precisaram aprender a usar o Zoom, não podiam ver amigos ou entes queridos e viviam com medo.

Em outras palavras, foi e tem sido um momento assustador e estressante. Eles merecem líderes que compreendam e que tenham empatia com o que viveram. Caso não encontrem essas qualidades, irão buscá-las em outro lugar.

Razão 2: os clientes também passaram por isso

Para o público em geral, a pandemia foi tão angustiante quanto para os trabalhadores. Muitos foram demitidos. Seus filhos passaram a ter aulas remotas e tiveram que abrir mão de partes importantes da vida para o seu desenvolvimento.

CEOS E OUTROS EXECUTIVOS SENIORES ERAM PESSOAS INACESSÍVEIS E DISTANTES. HOJE NINGUÉM ACREDITA MAIS NISSO.

Passamos a esperar que todos sejam um pouco mais pacientes, compreensivos e gentis enquanto ainda nos recuperamos desse período sombrio. Empresas que não respeitarem esse “novo normal” perderão clientes e participação de mercado. Já aquelas cujos líderes se conectam com os clientes verão um grau de lealdade – até mesmo amor – sem precedentes.

Razão 3: o Zoom destruiu a suposta imagem impecável dos líderes

No passado, CEOs e outros executivos seniores eram pessoas inacessíveis e distantes. Era fácil fingir que não tinham sentimentos ou qualquer outra fraqueza humana.

Hoje ninguém acredita mais nisso. Vimos seus escritórios em casa pelo Zoom. Os vimos de shorts de academia e com a barba por fazer. Vimos o gato subir na mesa e andar pelo teclado.

Não há mais por que fazer tipo. Sabemos que você é tão desajeitado e desorganizado quanto o resto de nós – e, quer saber? A verdade é que gostamos mais de você por causa disso.

Razão 4: o número de CEOs mulheres está aumentando

Não estamos dizendo que mulheres são naturalmente mais sensíveis que homens. Estamos dizendo que elas tendem a mostrar mais suas emoções no ambiente profissional. Neste mundo pós-Covid-19, as mulheres estão em ascensão.

Com mais mulheres no comando, provavelmente veremos o efeito em toda a empresa. Por exemplo, mais funcionários se sentirão seguros para expressar suas emoções. Como resultado, as culturas corporativas mudarão. As marcas passarão a ser mais calorosas, acolhedoras, autênticas e empáticas.

Razão 5: as pessoas estão engajadas em pautas sociais

Black Lives Matter. Mudanças climáticas. Pobreza infantil. Vemos cada vez mais gente engajada em encontrar soluções para os grandes problemas do nosso tempo. São pessoas informadas, apaixonadas e que se preocupam com justiça social e equidade. Elas esperam que as empresas e marcas também se preocupem.

PASSAMOS A ESPERAR QUE TODOS SEJAM UM POUCO MAIS PACIENTES, COMPREENSIVOS E GENTIS.

Mas isso é uma coisa difícil se a organização se preocupa mais com o lucro do que com as pessoas. Não dá para fingir sentir empatia. Se você se compromete a combater o racismo sistêmico, precisa se importar genuinamente com a causa. As pessoas admiram empresas e líderes que sacrificam o lucro em prol do que é certo.

Razão 6: você está mais exposto do que nunca

Antes das redes sociais, se alguém em um alto cargo dissesse ou fizesse algo estúpido ou machista, o pessoal de relações públicas poderia lidar com a imprensa para evitar um desastre. Em um mundo transparente, com notícias instantâneas e sem filtros, a única forma de garantir a reputação é sendo, de fato, uma boa pessoa.

Novamente, não há como fingir. É preciso ser honesto e direto, falar sobre o que motiva você e sua equipe e encontrar uma conexão humana com seu mercado.

Razão 7: a retenção será a principal questão para as empresas na década de 2020

Os millennials e a geração Z são muito menos propensos a confiar em empregadores. Tendem a preferir a carreira de freelancer, fazer trabalhos temporários e flexíveis e depender da “economia gig” para sobreviver. Isso significa que reter talentos será o principal desafio da próxima década.

Mas adivinhe o que esses trabalhadores buscam? Sentimento verdadeiro, sincero e autêntico. Cuidar das pessoas. Lutar por causas. Cuidar do planeta. Cuidar, ponto. Líderes sensíveis, que agem intuitivamente e com alma, terão maiores chances de reter talentos.

Você lidera pessoas. E elas precisam sentir que são ouvidas, compreendidas e que fazem parte da cultura da empresa, como irmãos.

Confira matéria na Fast Company

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