Home / Investigação internacional de jornalistas revela ‘fábrica’ de fake news para campanhas políticas

Investigação internacional de jornalistas revela ‘fábrica’ de fake news para campanhas políticas

Fonte: G1

28 de fevereiro de 2023

Israelense diz manipular eleições no mundo todo. Ele trabalha nas sombras e cobra caro para espalhar mentiras e desinformação nas redes sociais

Jornalistas investigativos de grandes veículos se reuniram num consórcio que revelou a verdadeira identidade do dono de uma verdadeira fábrica de fake news: um israelense que trabalha nas sombras, cobra caro para espalhar mentiras e desinformação nas redes sociais, e diz manipular eleições no mundo todo.

O sujeito se apresenta como “Jorge”. Duas câmeras escondidas filmaram a conversa:

“Jorge é apelido. Eu não tenho nome.”
“Você não tem nome?”
“Você viu o que diz na porta, né? Nada. Nós somos nada. Nós somos ar.”

O homem é pago para espalhar mentiras pelas redes sociais, manipulando a política e as eleições em diversos países. Cobra, no mínimo, 6 milhões de euros.

Mas “Jorge” não sabia que os dois homens reunidos com ele não eram clientes em potencial, e sim repórteres: Gur Megiddo, do jornal ”The Marker”, e Omer Benjakob, do diário “Haaretz”, os dois de Israel.

“Eu estava me fazendo passar por um israelense que mora nos Estados Unidos e queria adiar uma eleição num país africano”, conta Gur.

“E eu me fingi de consultor americano trabalhando com o israelense”, diz Omer.

Omer e Gur fazem parte de um consórcio de centenas de jornalistas investigativos do mundo todo. É o “Forbidden Stories”. Na tradução, “Reportagens Proibidas”.

Nas reuniões, “Jorge” se gabava dos seus supostos resultados no mundo todo: “Já interferimos em 33 eleições presidenciais, e tivemos sucesso em 27.”

“Jorge”, na verdade, se chama Tal Hanan. Ele é um ex-oficial das forças especiais israelenses. Veja a reportagem completa no vídeo acima.

O que dizem os citados

O empresário Tal Hanan, que se apresenta como “Jorge, não quis dar entrevista depois das revelações do grupo “Forbidden Stories”. Disse apenas que “nega ter feito qualquer coisa errada”.

Um porta-voz do Facebook afirmou que os robôs virtuais de “Jorge” foram tirados do ar “porque violam as políticas da empresa”. Procurado pelo consórcio internacional de jornalistas, o Google não se manifestou.

O Telegram disse que a vulnerabilidade técnica que poderia permitir a invasão de uma conta é um problema dos sistemas internacionais de telecomunicações, e não é exclusivo do Telegram.

O Twitter pediu ao jornal inglês “The Guardian”, um dos que publicaram as reportagens, mais informações para investigar os robôs criados por “Jorge”.

Confira matéria no G1

Voltar para Início

Notícias Relacionadas

A evolução da “publi”: marcas cocriando com os influenciadores
No início da consolidação do mercado de influência, as publicidades eram feitas de forma bem “simples”, do ponto de vista da questão técnica, sem grandes produções, quando o influenciador somente mostrava o produto em seu perfil nas redes sociais. Nos últimos anos, essa lógica vem mudando. Ideias criativas, grandes produções e equipes enxutas ganharam cada […]
Sessão plenária faz homenagem a Edney Narchi, que deixa o Conar após 38 anos
O Conselho de Ética do Conar, reunido em sessão plenária na manhã de hoje, rendeu homenagem a Edney Narchi, que se aposentou depois de 38 anos de serviços à auto-regulamentação publicitária brasileira. Mais de 80 pessoas, entre conselheiros, membro da diretoria e das entidades fundadoras do Conar e convidados estiveram presentes à sessão. Também esteve […]

Receba a newsletter no seu e-mail