Home / Em terra de algoritmos, o que sobra para a criatividade?

Em terra de algoritmos, o que sobra para a criatividade?

Fonte: Meio e Mensagem

7 de outubro de 2022

Chiara Martini, da Coca-Cola, e Robson Harada, do Mercado Bitcoin, falam sobre a inserção de dados e conceitos de comunidades digitais nas estratégias de comunicação

Uma palavra que define bem a relação dos profissionais de marketing com a profusão de novos conceitos e ferramentas tecnológicas que surgiram nos últimos anos é desconhecimento. Esse termo, inclusive, foi usado por Pyr Marcondes, senior partner da Pipeline Capital ao iniciar o debate que reuniu Chiara Martine, creative strategy lead Latam da Coca-Cola, e Robson Harada, chief marketing e growth officer do Mercado Bitcoin.

O moderador questionou os dois profissionais a respeito da inquietação diante do desconhecimento que as tecnologias e transformações tecnológicas trazem e como é possível utilizar isso a favor das marcas. Chiara não hesitou em assumir que se sente em estágio prematuro em relação à incorporação dessas tecnologias em sua rotina e que, por isso, utiliza esse ferramental de dados e algoritmos como apoio. “Procuro lidar com tudo isso admitindo que não conheço ainda esses universos a fundo e que, por isso, essas informações me guiam e ajudam a orientar as tomadas de decisões”, explicou.

Nesse caminho, é fundamental ter parceiros que orientem as empresas a navegar nesse oceano de possibilidades. Chiara diz que tem sorte de, na Coca-Cola, contar com parceiros muito talentosos e munidos de várias informações que acabam sendo úteis para as estratégias da empresa. “Meu papel, contudo, não é o de simplesmente seguir. É preciso analisar os dados que são apresentados e, a partir disso, tomar as melhores decisões. E nesse processo ainda acredito muito na intuição”, destacou a profissional.

Do intangível ao palpável

Robson Harada falou sobre a diferença em atuar em uma marca tradicional, como o Itaú, na qual passou alguns anos, para uma companhia de criptomoedas, cujo produto é algo totalmente intangível e o conceito ainda é desconhecido por boa parte das pessoas.

Segundo o executivo, a principal diferença entre o marketing de uma companhia para outra é o apetite de risco, que tende a ser menor em uma empresa mais tradicional. Por outro lado, atuar em uma companhia de ativos digitais e criptomoedas permite mais experimentos.

Harada falou sobre o desafio de vender aos consumidores algo intangível e contou que, para isso, procura usar o conhecimento que as pessoas já têm a respeito de assuntos mais familiares. “Lançamos recentemente um produto de renda fixa, pegando algo que é de conhecimento de todos, tokenizamos esse produto e comercializamos os ativos às pessoas. A grande sacada é colocar algo que seria de difícil entendimento de forma atrelada a alguma coisa que as pessoas já conheçam, que, nesse caso, foi a carteira de investimentos”, explicou.

O poder das comunidades

Os executivos também falaram sobre a importância de entender o movimento das comunidades digitais para mapear os melhores e mais eficientes caminhos para levar sua mensagem às pessoas. Chiara disse que, mais importante do que pensar se o algoritmo do TikTok ou do Instagram são mais ou menos eficientes, o principal é entender quem é aquele influenciador ou porta-voz que levará e mensagem da marca e que contribuição ele tem para as estratégias de comunicação da empresa.

“Quando pensamos em trabalhos de comunidades, já entendemos que os creators passaram a ser os porta-vozes das marcas. Para mim, é menos importante saber se aquele criador está no TikTok ou no Instagram. O que importa mais é como ele entende o desafio da marca e de que maneira passará isso adiante” disse a executiva da Coca, ressaltando que a indústria sempre foi muito calcada em formatos e que, na verdade, o que faz diferença, primordialmente, é a estratégia da mensagem.

Harada destacou o potencial de uma comunidade digital bem construída ao citar o Discord, canal que reúne comunidades ativas, com diferentes interesses. Segundo o executivo, descobrir um consumidor alfa, que levará aquela mensagem adiante, propagando-a por toda a comunidade, é algo muito estratégico para as marcas. “Geralmente as ações de comunicação são feitas para as massas, mas essa estratégia, do micro ao macro, é muito interessante porque a empresa passa a ter porta-vozes que tem uma grande representatividade naquelas comunidades e, com isso, são capazes de reverberar as marcas e seus trabalhos”, contextualizou.

Confira matéria no Meio e Mensagem

Voltar para Início

Notícias Relacionadas

O poder dos dados inteligentes
Do impacto contínuo da pandemia no comportamento do consumidor ao aumento acelerado da digitalização de serviços, é seguro dizer que a maneira como os clientes esperam interagir com as empresas de varejo foi transformada para sempre. Não mais contentes com uma abordagem única, os clientes de hoje estão procurando empresas que possam adaptar as ofertas […]
WPP cresce 2% no primeiro semestre e reduz previsão para 2023
Nesta sexta-feira, 4, o WPP divulgou os resultados financeiros da holding no segundo trimestre do ano, assim como os números semestrais. Na primeira metade de 2023, a receita orgânica da companhia cresceu 2% e atingiu valor de US$ 7,38 bilhões, enquanto o faturamento foi de US$ 846 milhões, com alta de 2,7%. No segundo trimestre, […]

Receba a newsletter no seu e-mail