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Criatividade e curiosidade são o trunfo dos profissionais na era da IA, afirma CEO da The School of Life

Fonte: Época Negócios

13 de julho de 2023

Não existe tecnologia que resolva uma crise de relacionamento dentro de uma empresa. “Pelo menos, ainda não. Pode haver daqui a 30 anos, mas hoje as habilidades humanas de resiliência, adaptabilidade e comunicação ainda desempenham um papel indispensável no mundo corporativo e têm impacto direto na produtividade e na inovação”, afirma Diana Gabanyi, CEO da The School of Life. A escola de aprendizado focado em inteligência emocional foi fundada em Londres pelo suíço Alain de Botton, em 2008.

Diana foi uma das responsáveis por trazer a instituição ao Brasil, há dez anos, ao lado da diretora criativa Jackie de Botton, e acompanhou o crescente interesse das empresas por temas relacionados às competências socioemocionais. Hoje, cerca de 70% da receita da escola vem dos cursos destinados ao público corporativo. Durante a pandemia, a instituição criou um departamento exclusivo para saúde mental, respondendo a uma demanda de executivos que buscavam novas maneiras de lidar com o cenário delicado que se desenhava — e o consequente impacto no bem-estar dos funcionários.

“O mundo do trabalho passou por uma grande ruptura, talvez a maior que já vivenciamos. Assim que a pandemia estourou, as empresas se concentraram em desenvolver adaptabilidade, isto é, jeitos de lidar com aquele novo contexto. Em seguida, houve uma época mais focada no autocuidado, no sentido de equilibrar trabalho e vida pessoal, já que, com o home office, essas duas esferas acabaram se misturando. Hoje, a preocupação está muito focada na comunicação e em todas as suas vertentes, como diplomacia e eloquência”, analisa.

A executiva acrescenta que as corporações ainda estão se adaptando. A volta aos escritórios — e as diferentes combinações entre formatos de trabalho presencial, remoto ou híbrido — parece ter criado um momento de alívio, mas não isenta as empresas de continuarem a pensar no bem-estar dos funcionários. “Todo o mundo passou por um trauma muito grande, e você não sai de um trauma só porque ele acabou”, diz.

“Além disso, existe uma tensão, que vejo principalmente em negócios mais tradicionais, em que os chefes querem que as pessoas voltem ao escritório, sem negociação. Entendo os motivos por trás desse pensamento, mas precisa haver um olhar para o colaborador. Às vezes, aquela não é a melhor opção para ele”, acrescenta.

Criatividade como trunfo

Enquanto isso, mais transformações batem à porta das empresas. A adoção de ferramentas de IA generativa terá impacto nos empregos, avalia Diana, mas posições com novos tipos de tarefas também devem surgir, ainda que não na mesma velocidade do desenvolvimento da tecnologia.

“O ChatGPT representa um marco na indústria, mas a IA não vem de agora. Há seis, sete anos, já havia a discussão sobre como os robôs vão se integrar ao trabalho. Não tem como competirmos com as máquinas, mas a curiosidade, a criatividade e a flexibilidade do ser humano, além do olhar para a cultura da empresa, isso é muito difícil de ser substituído”, avalia.

Além de criatividade e adaptabilidade, a executiva ainda cita a resiliência como uma das habilidades socioemocionais mais importantes para o futuro. Na base dessas competências, está o autoconhecimento, que “nos dá informações sobre nossos limites e sobre como nos sentimentos quando temos algum problema interpessoal. Isso nos leva a gerar conexão com as pessoas e criar novas soluções”, explica Diana.

A geração de inovação corporativa está atrelada a essas habilidades, acrescenta. “A tecnologia em si pode trazer inovação, mas alguém tem que ser a pessoa curiosa a olhar para um novo recurso e para o dia a dia da empresa para entender de que maneira aquilo pode melhorar a operação”, afirma. A esse espírito curioso, lembra, deve ser somada a capacidade das lideranças de criar um ambiente onde o erro é permitido.

“As empresas morrem por falta de inovação. Para uma equipe inovar, ela precisa ter confiança, porque tem que passar por muitas etapas até que a inovação seja provada. As pessoas devem sentir que elas têm liberdade para trazer ideias, propor algo novo e errar. É muito raro alguém acertar de primeira. Você vai fazer um protótipo, pode ser que não funcione, e será necessário começar de novo. Você tem que se livrar do perfeccionismo num primeiro momento e, para isso, precisa de uma empresa que ofereça essa abertura.”

Confira matéria na Época Negócios

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