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Big techs concentram lucro e riqueza usando nossos dados, mas Web 3.0 pode mudar isso

Fonte: Época Negócios

15 de abril de 2022

No ano passado, Alphabet, Amazon, Meta (Facebook), Apple e Microsoft acabaram o ano valendo juntas US$ 11 trilhões – só para dar uma escala, esse valor corresponde a 12% do PIB global. Os números são superlativos . Mas o que impressiona mais ainda é o ritmo de crescimento, de sete vezes em uma década. Se você não participou dessa festa, bobeou, porque ela aconteceu com os seus dados.  Alguém já disse que “se o serviço é gratuito, você é o produto”.

Zilhões de dados de indivíduos são a matéria-prima. Desde o histórico de pesquisas no navegador até uma simples compra ou uma vasculhada na rede social – qualquer passo é suficiente para gerar, por exemplo, um anúncio direcionado, e portanto mais eficiente para o anunciante, de acordo com o perfil do usuário. Além de resvalar em questões éticas, a prática já despertou incontáveis disputas judiciais envolvendo um tema há muito debatido: a privacidade.

Apenas pela ótica econômica, as big techs concentram riqueza e lucro usando nossos dados, mas não recebemos de volta um pedaço do lucro. E a história mostra que as pessoas, cedo ou tarde, acabam se rebelando contra o status quo quando a equação fica muito desbalanceada.

Da mesma forma que a guilhotina simbolizou o fim do absolutismo francês, e a foice e o martelo a luta contra a monarquia russa no início do século passado, desta vez há um movimento ocorrendo de forma mais sutil, mas igualmente poderoso, por meio da tecnologia. Uma revolução silenciosa, que evidencia a insatisfação das novas gerações com a forma como o mundo hoje acontece e a quantidade de poder que está nas mãos das big techs.

A Web 3.0 evidencia um movimento de descentralização do poder das grandes empresas para os creators e desenvolvedores, em que usuários têm mais autonomia e privacidade. Hoje as informações estão em servidores da Amazon, Google ou Microsoft. Na Web 3.0, as informações são encontradas com base no conteúdo, podendo ser armazenadas em vários locais simultâneos – confrontando os colossais bancos de dados das big techs.

Por meio da interação direta entre os usuários, não há mais necessidade de intermediários que monitoram, controlam e filtram os seus dados nas interações. Assim, os aplicativos passam a ser executados por meio de blockchains, redes peer-to-peer (compartilhamento de dados sem a necessidade de um servidor central) e pelos dapps, ou aplicativos descentralizados, com código aberto e que funcionam de forma autônoma e independente.

É claro que essa nova dinâmica da Web 3.0 trará desafios, sobretudo em relação às questões legais, regulatórias e fiscalizatórias. Isso fica ainda mais evidente com o aumento dos crimes cibernéticos no Brasil e no mundo – somente no ano passado, foram mais de 4 milhões de tentativas de fraudes no país, segundo dados da Serasa Experian, alta de 16,8% sobre 2020. A discussão é tão relevante que, no início deste ano, a proteção de dados foi declarada Direito Fundamental no país. 

Apesar disso, a Web 3.0 parece ter vindo para varrer em definitivo a internet nos moldes atuais. No ano passado, houve um crescimento exponencial no valor total bloqueado (TVL) das corretoras descentralizadas (DEXs) de transações digitais com criptomoedas. Na corretora Curve, o TVL subiu de US$ 1,4 bilhão para US$ 16,2 bilhões entre janeiro e dezembro do ano passado.

É claro que esse mindset inovador, colaborativo e descentralizado que move a Web 3.0 poderá esbarrar em interesses difusos e desafios de grandes proporções. No entanto, o fenômeno de proporções globais é um caminho sem volta, com pessoas empoderadas contra um poder centralizador. A história é cíclica e, se não quiserem ruir como tantas instituições e déspotas do passado, quem tem poder deve aprender a compartilhar. Pois o futuro será cada vez mais consciente, autônomo, independente e descentralizado.

*Thomaz Srougi é fundador e presidente executivo do conselho do dr.consulta. É mestre em Políticas Públicas pela University of Chicago Harris School of Public Policy, MBA pela University of Chicago Booth School of Business, concluiu o GMP da Harvard Business School e é um Kauffman Fellow.

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