CONAR FORTALECIDO

Frente ao questionamento em torno da propaganda de bebidas alcoólicas, o mercado publicitário tem pelo menos um bom motivo para brindar: o fortalecimento do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária).

Com a revisão e o endurecimento das regras referentes aos produtos da categoria, a entidade conseguiu tomar as rédeas da situação e garantir que a auto-regulamentação do setor fosse vista com bons olhos em Brasília.

Segundo uma fonte do P&M, o lobby no Congresso foi tão bem feito que esvaziou os trabalhos do Grupo Técnico Interministerial (GTI) no que se refere à questão da publicidade das cervejas e cia. "Agora, a expectativa é de que o grupo ratifique as medidas já propostas pelo Conar", diz a fonte. Os representantes do Conar preferem não se pronunciar sobre os trabalhos do grupo, enquanto eles estiverem em andamento.

Criado pelo governo federal em maio a fim de discutir novas alternativas para o setor, o GTI adiou a apresentação de seu relatório final. E, segundo a assessoria do coordenador do grupo, Pedro Gabriel Delgado, não tem data marcada para apresentá-lo. As propostas do Conar, porém, não são poucas e entram em vigor a partir do próximo dia 15 (mídia exterior) e 31 de dezembro (rádio e TV). Incluem o fim do uso de personagens animados e a participação em comerciais e anúncios de pessoas que pareçam ou sejam menores de 25 anos. "Associadas nossas discordaram de pontos apresentados pelo Conar, mas nos adaptaremos", diz o superintendente do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), Marcos Mesquita. "O mercado se sente muito bem representado pela entidade", complementa.

Advogado da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, Paulo Gomes de Oliveira Filho acrescenta que as normas podem ser mais eficazes do que as normas legais, "as quais muitas vezes desconhecem as peculiaridades dos setores produtivos".

Nos bastidores, a tomada de dianteira por parte do Conar é tida como, senão uma garantia, pelo menos um indicativo de segurança para quem trabalha com esse mercado, que só no ano passado investiu R$ 580 milhões em publicidade. E leva a crer que o governo pode abandonar a idéia de proibir a publicidade de cervejas e ices no horário "núcleo", entre 6 e 21 horas.